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Campo Grande,06/09/2026

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PF produziu relatórios contra Mendonça ao longo de atritos com ministro

Documentos, sem assinatura e sem data, foram requisitados por Moraes no dia 1º após Mendonça levantar sigilo de relatório que expôs diálogos com dono de Banco Master

cnnbrasil.com.br
PF produziu relatórios contra Mendonça ao longo de atritos com ministro O ministro André Mendonça • Luiz Roberto/TSE

A PF (Polícia Federal) produziu relatórios de inteligência sobre a atuação do ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), ao longo de toda crise entre a cúpula da corporação e o gabinete do magistrado, apurou a CNN.

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Segundo fontes da PF, os documentos vinham sendo elaborados em meio à tensão entre o diretor-geral, Andrei Rodrigues, e Mendonça, desde o primeiro semestre -- e não especificamente nos últimos dias a pedido do ministro Alexandre de Moraes, do STF.

O fato de os relatórios não serem assinados e datados levantou o questionamento, inclusive dentro da PF, sobre o momento das informações e a pedido de quem -- bem como sobre o suposto uso de inteligência artificial na confecção dos documentos.

Os relatórios foram requisitados pelo ministro Alexandre de Moraes na terça-feira (1º), conforme consta de decisão do magistrado nesta quinta (3).

O pedido ocorreu após Mendonça retirar o sigilo do relatório da PF que expôs mensagens trocadas entre Moraes e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

Ao todo, foram preparados quatro relatórios de inteligência. O objetivo, segundo apurou a CNN, era registrar situações que a cúpula da PF classificava como uma sequência de ilegalidades cometidas por Mendonça na condução das investigações sobre as fraudes no INSS e no Banco Master. As informações também poderiam servir de base para uma eventual medida da corporação.

Descritos como "análise de cenário" e com a ressalva de não ter "valor probatório", os relatórios embasaram a decisão de Moraes nesta quinta-feira (3) pedindo ao presidente do STF, Edson Fachin, abertura de investigação contra Mendonça.

Além de não apresentarem cabeçalho nem assinatura, os documentos empregam 24 vezes a classificação “baixa confiança”.

Os próprios relatórios explicam que as avaliações dos analistas não devem ser apresentadas como fatos e que as hipóteses com baixo grau de confiança servem para orientar o monitoramento e a coleta de informações, não para sustentar uma conclusão institucional.

Na decisão dentro do inquérito das fake news, Moraes afirmou haver “fortes indícios” da prática de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade por Mendonça na relatoria dos casos Master e INSS. O ministro também citou possível quebra de imparcialidade e favorecimento a determinados grupos políticos.

A própria decisão de Moraes afirma que os documentos já existiam e estavam registrados no sistema da PF quando foram requisitados na última terça-feira. O ministro determinou então ao diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, que enviasse imediatamente ao STF os relatórios de inteligência que citassem integrantes da Corte.

Os embates entre a PF e Mendonça escalaram à medida que o magistrado passou a concentrar sob sua relatoria algumas das investigações de maior repercussão política e eleitoral.

Além das apurações sobre as fraudes nos descontos do INSS e no Banco Master, estão no gabinete de Mendonça duas das três novas investigações envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e o inquérito sobre o financiamento do filme “Dark Horse”, que trata da vida do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

De um lado, a cúpula da PF reclama de interferência na condução das investigações. Do outro, o gabinete de Mendonça se queixa da demora da corporação em dar andamento às apurações, entre elas o inquérito que cita Lulinha.

A crise se agravou nesta semana com o levantamento do sigilo do relatório da PF sobre o caso Master, que expôs a relação entre Vorcaro e Moraes. Mensagens do banqueiro também citam o diretor-geral da PF e o procurador-geral da República, Paulo Gonet.

Em meio à tensão institucional sem precedentes, o presidente do STF, Edson Fachin, determinou nesta quinta-feira (3) que Moraes, Mendonça, Gonet e Andrei se manifestem em até cinco dias sobre a crise envolvendo o caso Master.

Fachin abriu um procedimento para esclarecer questões levantadas pela PGR em parecer que pediu a extinção da apuração conduzida por Mendonça.


“Cabe à Presidência do tribunal zelar para que a possível apreciação colegiada seja feita, a tempo e modo, com o elevado senso de responsabilidade que os fatos reclamam”, afirmou Fachin.




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