Lula e Flávio fazem primeiro debate das eleições na TV Band
Candidatos à presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) participaram neste domingo (18) de debate realizado pela TV Bandeirantes. O encontro foi marcado por provocações entre os candidatos e, em alguns momentos, necessidade de intervenção dos mediadores.


Ainda no primeiro bloco, Lula questionou Flávio sobre os R$ 134 milhões recebidos do banqueiro Daniel Vorcaro e a defesa de acusado de assassinar uma criança.
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Flávio não respondeu aos questionamentos e fez perguntas sobre o filho de Lula, Fábio Luís, investigado por participação em suposto esquema de tráfico de influência. Ele ainda acusou o governo Lula de responsabilidade por irregularidades no INSS, sem mencionar que os desvios começaram no governo de Jair Bolsonaro e foram combatidos no atual governo, com ressarcimento pago aos aposentados.
No debate de propostas, Flávio disse que pretende classificar facções criminosas como narcoterroristas. Também afirmou que vai construir, caso eleito, 500 mil vagas no sistema penitenciário.
Já Lula reafirmou que criará o Ministério da Segurança Pública para definir os papéis de municípios, estados e União, combater a criminalidade e envolver o governo federal nas ações que hoje são de responsabilidade de prefeitos e governadores.
SUS, segurança e direitos trabalhistas
Após um primeiro bloco marcado por embates entre Lula e Flávio, o segundo bloco do debate na Band colocou as propostas no centro do palco.
Em um questionamento dos mediadores sobre a importância do Sistema Único de Saúde (SUS), Flávio respondeu que indicaria o médico Cláudio Lottenberg, presidente do Hospital Albert Einstein, uma instituição privada, para o cargo de ministro da saúde. Segundo ele, a ideia era instituir um "padrão Einstein no SUS".
Na sua vez de responder, Lula afirmou que o adversário fala sobre o SUS sem jamais ter usado um serviço público de saúde e questionou se Flávio tem o intuito de privatizar o sistema público. Lula também lembrou da condução da pandemia, entre 2020 e 2022, citando os mais de 716 mil mortos pela "irresponsabilidade do governo" Bolsonaro, que atrasou a compra de vacinas.
"Eles tiveram uma experiência de quatro 4 anos. E foi o maior desastre da história desse país. Poderia ter evitado metade das mortes se ouvisse a ciência, se acreditassem a ciência. Eles não acreditavam", afirmou.
Lula chegou a ser interrompido por Flávio, que não tinha direito de fala no momento, e foi preciso uma intervenção da jornalista Adriana Araújo, uma das mediadoras do debate, junto com Eduardo Oinegue.
Mais adiante, ao responder a crítica de Lula sobre a condução da pandemia, Flávio tentou defender o governo do pai. "Tivemos uma pandemia, dois anos de pandemia, isso é uma coisa nova que ninguém sabia direito como enfrentar, mas o Bolsonaro deu o seu melhor.”
Em outra rodada de perguntas, Flávio citou os assassinatos de Renata Teles, em dezembro de 2023, e do sargento da Polícia Militar em Minas Gerais, para criticar as saídas temporárias de presos, chamada de "saidinhas". Acusou Lula de priorizar os direitos dos condenados em detrimento das vítimas e questionou diretamente se o presidente é favorável ou contrário à manutenção do benefício.
Em resposta, Lula defendeu a manutenção da saída temporária para presos que apresentem bom comportamento e estejam em processo de recuperação, mas argumentou que casos condenados por estupro, violência contra mulheres e crimes graves não deveriam receber o benefício.
O presidente acusou Flávio de defender um eventual indulto ao pai, Jair Bolsonaro, condenado por crimes de tentativa de golpe de Estado e organização criminosa, alegando que essa medida teria consequências mais amplas sobre outros condenados.
Escala 6x1
Em outro momento do bloco, Flávio falou sobre o fim da escala 6x1, proposta defendida pelo governo Lula e recentemente aprovada pelo Congresso Nacional. Em uma clara mudança de opinião, o candidato da oposição afirmou ter votado a favor da matéria, que antes era contra, após ter ouvido a opinião de trabalhadores.
"Eu sou uma pessoa que sei ouvir, eu sei escutar, eu sou uma pessoa que se for convencida posso melhorar a minha opinião, se isso for melhor também para os cidadãos brasileiros", disse o candidato, cuja posição contra o fim da escala, que tem amplo apoio popular, acabou gerando desgaste nas últimas semanas.
Em reação, Lula afirmou que o adversário não conhece nem usa serviços públicos. "O meu adversário, ele conhece ônibus por literatura, ele nunca entrou no ônibus. Ele conhece trabalhador por literatura, porque ele nunca conversou com o trabalhador. Aliás, ele nunca trabalhou. Você conhece o cidadão que nunca trabalhou?", provocou o presidente.
Quebra de sigilo
No terceiro bloco, Lula subiu o tom contra Flávio e desafiou que ele e o adversário apresentassem os sigilos bancário e telefônico de ambos, incluindo os de seus familiares, para que fossem apuradas eventuais irregularidades antes das eleições.
Ao abordar o tema, o presidente propôs que os dois entregassem seus documentos às autoridades competentes para que o eleitorado pudesse conhecer possíveis casos de corrupção. "Eu desafio você. Amanhã abrimos a nossa conta bancária, abrimos o nosso sigilo telefônico para que o povo brasileiro saiba quem é ladrão desse país", afirmou Lula, que ainda pediu que documentos de familiares também fossem encaminhados às autoridades:
Flávio respondeu que não tinha nada a esconder, mas não confirmou expressamente que aceitaria a proposta nos termos apresentados por Lula. Em seguida, acusou, sem provas, o presidente de manter recursos fora de suas contas bancárias.
No campo internacional, Lula questionou a relação de Flávio com os Estados Unidos e levantou preocupações sobre a soberania brasileira na exploração de minerais críticos, matéria-prima de componentes para baterias de celulares e outros produtos tecnológicos.
O presidente também acusou a família Bolsonaro de se subordinar aos interesses dos norte-americanos. Já o senador respondeu defendendo a cooperação internacional no combate ao crime organizado e negou ter trabalhado para impor tarifas contra empresas brasileiras, apesar dos apelos do irmão, Eduardo Bolsonaro, autoexilado nos EUA, em favor da imposição de tarifas contra exportações nacionais.
No mesmo bloco do debate, Flávio Bolsonaro defendeu o endurecimento das políticas de segurança pública, com ampliação da vigilância por câmeras de reconhecimento facial e todo o país e maior rigor nas punições, sem especificar. Lula rebateu citando medidas de seu governo, como o programa Celular Seguro, que bloqueia aparelhos roubados de forma imediata e criticou o adversário por apresentar propostas repetidas e sem reconhecer ações já implementadas.
Polícia acionada
Ao final do debate, o Grupo de Ações Táticas Especiais da Polícia Militar de São Paulo foi acionado para investigar uma suspeita de bomba em um carro no estacionamento da Band que pertenceria à equipe de Flávio Bolsonaro.
Durante a ação policial, jornalistas e convidados foram impedidos de deixar a emissora. Após varredura, nada foi encontrado e o local acabou liberado.




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