Sessão para secretário explicar sobre tapa-buraco é encerrada por questão de segurança
Foto: Eliza Mustafa A sessão ordinária da Câmara Municipal de Campo Grande desta terça-feira, dia 20, que seria dedicada a esclarecimentos do secretário municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos, André Moura Brandão, sobre os trabalhos de tapa-buraco, foi encerrada por questões de segurança, diante de tumulto no Plenário. O pronunciamento ocorreria depois de requerimento aprovado na sessão da última quinta-feira pelos vereadores, em decorrência das várias reclamações sobre a ineficiência do serviço na cidade.
O secretário tinha apenas iniciado a explanação quando ocorreu o tumulto no Plenário, no momento em que um servidor público municipal quebrou uma maquete de isopor, representando o asfalto e um buraco, trazida por um cidadão que compareceu à Câmara. Ele arremessou o objeto no espaço onde ficam os vereadores. Guardas civis metropolitanos tiveram de intervir para retirá-lo do Plenário.
O vereador Epaminondas Neto, o Papy, presidente da Câmara Municipal, classificou como lamentável e inadmissível o tumulto ocorrido. “É inadmissível que um servidor comissionado do Executivo Municipal venha na nossa Casa nos desrespeitar”, afirmou. Ele citou que é um desrespeito a uma casa histórica, que é o Parlamento Municipal dessa Capital.
“Estou consternado e envergonhado pelo comportamento dessa pessoa. Nitidamente isso aqui é um ato político. Nosso ato não é político, a convocação do secretário é um respeito e defesa às pessoas de Campo Grande que não aguentam mais conviver com a cidade esburacada. Nada mais que isso. Hoje era a oportunidade de o secretário explicar ao campo-grandense o que está acontecendo. O comportamento de provocar briga e atirar objeto em Plenário é inadmissível”, reforçou Papy.
O vereador Carlos Augusto Borges, o Carlão, primeiro-secretário da Casa de Leis, criticou o tumulto que impediu acesso às informações. “Nós íamos sabatinar o secretário de Obras. Tecnicamente ele iria mostrar os números para a Câmara e toda sociedade. Aí veio uma torcida que não sei quem chamou, quebrou a placa do rapaz e a sessão teve que terminar por falta de segurança e falta de condições de o secretário explicar o que o povo precisa saber”.
CPI do Tapa-Buraco – A Câmara Municipal já tem assinaturas necessárias no requerimento que solicita a instauração de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a execução dos serviços de tapa-buracos na Capital. A mobilização dos parlamentares é resposta à grave crise ocasionada pela falta de manutenção das ruas da cidade e ressalta a urgência do Poder Legislativo em oferecer uma resposta concreta e fiscalizatória às constantes demandas da população.
Pouco antes da sessão iniciar, o presidente Papy concedeu entrevista e ressaltou que a importância dos esclarecimentos. “Ninguém consegue andar pela cidade. Nos últimos dias, com o aumento das chuvas, ficou impossível transitar em alguns locais. A população chegou a um nível de indignação muito grande”, disse. Ele acrescentou “a CPI não é uma caça às bruxas, mas uma forma de responsabilizar quem deve ser responsabilizado e, principalmente, esclarecer a população”.
De autoria da vereadora Luiza Ribeiro, a proposta prevê um prazo inicial de 120 dias de investigação. Entre os eixos centrais do pedido estão a apuração de supostas irregularidades em contratos, a drástica redução dos investimentos na manutenção das vias públicas em 2026 e o não cumprimento de prazos de resposta a pedidos de informação já aprovados pelo Plenário. Agora, o requerimento segue para a Procuradoria Jurídica da Casa de Leis, responsável pela emissão de parecer técnico para a efetiva instalação da comissão.




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