Polícia cumpre mandado e apreende arma de fogo de homem que ameaçava ex-companheira em Campo Grande
Em uma ação coordenada voltada à proteção de vítimas de violência doméstica e familiar, a Polícia Civil de Mato Grosso do Sul cumpriu, na manhã desta quinta-feira, um mandado de busca e apreensão que resultou na apreensão de uma arma de fogo e munições na residência de um homem investigado por ameaça contra a sua ex-companheira, no bairro Carandá Bosque, em Campo Grande. A medida integra o trabalho contínuo das autoridades para coibir condutas que colocam em risco a integridade física e psicológica de mulheres e seus familiares.
Mandado expedido por Justiça especializada
A ação foi autorizada pela 3ª Vara da Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, após representação da autoridade policial com base em relatos da vítima, que apontaram um padrão de ameaças de morte e intimidação após o término do relacionamento. Além das agressões verbais e psicológicas, a investigação demonstrou que o homem, de 51 anos, teria recuperado a posse de seu armamento em razão da revogação anterior de medidas protetivas, aumentando o temor de uso letal do dispositivo.
A vítima, uma mulher de 47 anos, também relatou que a ameaça verbal alcançava a filha do casal, agravando a situação e a necessidade de intervenção imediata das autoridades competentes para neutralizar o risco iminente. Perfis falsos em redes sociais, criados com aparente intenção de monitorar a rotina da ex-parceira, reforçaram a percepção de perseguição constante.
Apreensão de arma e munições
No cumprimento do mandado domiciliar, os policiais localizaram e apreenderam um revólver calibre .38 e um total de cerca de 50 munições, itens que foram imediatamente recolhidos e encaminhados para perícia técnica com fins de análise, enquadramento penal e confirmação de sua utilização nos episódios de ameaça relatados. A apreensão da arma representa uma medida preventiva de extrema relevância para reduzir o potencial de violência física iminente, sobretudo em contextos de relações conflituosas pós-término.
A Polícia Civil ressaltou, por meio de nota oficial, que a retirada de armamento de investigados associados à violência doméstica e familiar contra a mulher é uma medida sancionada em lei e um instrumento eficaz para a preservação da vida e dignidade das vítimas, conforme as diretrizes da Lei Maria da Penha e seu arcabouço jurídico protetivo.
Abordagem integrada e proteção judicial
A atuação no caso decorre de mecanismos que unem investigação policial, atuação judicial especializada e acolhimento às vítimas. O cumprimento de mandados de busca e apreensão nesse tipo de situação reflete o empenho do Estado em responder de forma célere e eficaz às ameaças que se intensificam quando armas de fogo estão envolvidas.
Autoridades destacam que, no contexto de violência doméstica, o acesso a armas de fogo por parte do agressor eleva exponencialmente o risco de desfechos trágicos, reforçando a importância das medidas cautelares e de proteção previstas na legislação brasileira.
Repercussão local e expectativas de responsabilização
No bairro Carandá Bosque, moradores acompanharam discretamente a movimentação policial, sinalizando preocupação com a gravidade do caso e a necessidade de respostas contundentes dos órgãos de segurança. A apreensão de arma e munições em um contexto de violência familiar reforça discussões sobre a necessidade de intensificação das estratégias de enfrentamento à violência doméstica na capital sul-matogrossense.
Especialistas em segurança pública ressaltam que a efetividade de medidas como mandados judiciais, quando somadas à denúncia espontânea e à atuação vigilante das vítimas, contribui para interromper ciclos repetitivos de ameaça e violência, reduzir a sensação de impunidade e ampliar a proteção institucional às pessoas vulneráveis.
Próximos passos no processo penal
Com o armamento e munições já sob custódia e encaminhados para avaliação pericial, caberá à Polícia Civil prosseguir com a apuração dos fatos, integração de provas e estruturamento do inquérito policial. O material coletado será incorporado às diligências investigativas, que podem resultar, futuramente, na formulação de denúncia pelo Ministério Público, com base na tipificação penal dos crimes apurados.
Paralelamente, as medidas protetivas em favor da vítima permanecerão em vigor, com possibilidade de ampliação ou renovação por parte do Judiciário, sempre com foco na preservação da segurança física e emocional da mulher e de seus familiares.
A atuação policial neste caso reforça uma postura institucional de vigilância contínua, cujo objetivo é mitigar riscos, responsabilizar condutas delituosas e garantir que a legislação de proteção à mulher seja efetivamente aplicada no cotidiano.



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