Lula diz que não quer as Forças Armadas para pagar aposentadoria, mas para cuidar da soberania

Pré-candidato à reeleição, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez acenos nesta segunda-feira (13) a militares, ao defender os investimentos realizados em sua gestão para dar melhores condições de trabalho e para modernizar equipamentos das Forças Armadas. Lula afirmou que é preciso ter uma indústria da Defesa “altamente preparada” e disse que o país não quer guerra com outras nações, mas precisa estar “preparado para defender a sua soberania”.
O presidente afirmou ainda que quando assumiu o governo viu que era necessário "equipar as Forças Armadas". "A gente não quer as Forças Armadas para pagar aposentadoria, a gente quer Forças Armadas para cuidar da soberania desse país, para cuidar da sociedade brasileira, cuidar de 8,5 milhões de km2 de terra, da maior floresta tropical do mundo e da riqueza mineral que a gente nem sabe tudo o que a gente tem”, disse o presidente, durante visita ao Instituto de Aeronáutica e Espaço, em São José dos Campos (SP).
Lula citou ainda que uma das suas primeiras ações depois de assumir o terceiro mandato foi reunir-se com os comandantes das Forças Armadas e o ministro da Defesa para discutir melhores condições de trabalho e a renovação de equipamentos para a área militar. “É preciso ter uma indústria da Defesa altamente preparada e todo mundo sabe o que custou para o Brasil a guerra do Paraguai. Quantos orçamentos tivemos que gastar para vencer aquela guerra. Nós não queremos guerra, queremos um país altamente preparado para defender a sua soberania.”
O presidente destacou a necessidade de defesa das áreas de fronteira do país e das riquezas minerais. “A gente só vê o mundo falar disso, os Estados Unidos falarem, a China, a Rússia. E nós? Precisamos ter consciência de que as Forças Armadas existem para garantir a soberania territorial desse país, a riqueza do povo e defender o povo. Para isso tem que estar preparada”, reiterou.
Lula disse ter criado um conselho em sua gestão para cuidar dos minerais críticos e das terras raras, e afirmou que o Brasil pretende deixar de ser um exportador de matéria-prima. “Não vamos permitir que aconteça de novo o que aconteceu com o nosso ouro, com nossa prata, nosso minério de ferro. Agora quem quiser explorar minerais críticos e terras raras, vai ter que ser no país porque não queremos ser exportador de matéria-prima.”
O presidente visitou o projeto da primeira turbina movida a etanol, desenvolvida pelo Instituto de Aeronáutica e Espaço.
Ao discursar, Lula disse que o Brasil é o sexto país do mundo a produzir turbina, voltou a defender investimentos na área e citou a “disputa” entre o Brasil e os Estados Unidos para saber quem foi o criador do primeiro avião: Santos Dumont ou os irmãos Wright.
“[Produzir turbina] não é pouca coisa. Já perdemos a primazia histórica de termos sido a nação que inventou o avião. Na verdade, roubaram de nós essa primazia porque criaram dois irmãos nos Estados Unidos que inventaram o avião, quando na verdade o único instrumento mais pesado do que o ar que levantou durante um tempo da torre Eiffel foi o avião feito pelo Santos Dumont.
Lula disse que o Brasil precisa “recuperar o valor histórico” de ter supostamente ter criado o primeiro avião no mundo e afirmou ter conversado com o presidente da França, Emmanuel Macron, para que “em outubro a gente tentar levantar outra vez levantar nosso aviãozinho com um nosso brigadeiro como piloto”. “Se a gente perder a história, a gente perde a razão de muitas coisas.”



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