Campanha de Flávio Bolsonaro já negocia espaços em ministérios

Embora integrantes da campanha do candidato ao Palácio do Planalto pelo PL, Flávio Bolsonaro (PL), afirmem publicamente que a divisão dos ministérios ficará para depois da eleição, sinalizações de Flávio e articulações de aliados já indicam possíveis ocupantes da Esplanada em um eventual governo. Em Brasília, na campanha bolsonarista, o clima já é de transição de governo e os movimentos de apoios públicos e composições partidárias dos últimos dias já indicam a divisão de espaços.
Segundo um interlocutor de Flávio, a leitura é de que Jair Bolsonaro chegou à Presidência da República em um “susto”, e que “não conhecia muita gente”. “Por isso ele saiu colocando os amigos militares dele lá. Com Flávio não é assim, tem muitos quadros competentes, tem programa, tem composição partidária e já tem essa discussão prévia”, avalia essa fonte.
Um dos principais ministérios, a Casa Civil tem sido citado por fontes próximas de Flávio como a pasta que poderá acomodar um dos dois aliados do senador que pretendem disputar a Presidência do Senado, Rogério Marinho (PL-RN), que coordena sua campanha, ou Tereza Cristina (PP-MS), que foi ministra da agricultura de Jair Bolsonaro.
O desenho preliminar citado entre aliados prevê que aquele que não ocupar a presidência assuma o ministério. Marinho é o favorito nesse grupo, embora uma ala defenda Tereza, que poderia ser a primeira mulher a presidir o Senado.
Figura de relevo na campanha, Daniella Marques (Republicanos), que coordenou o plano econômico e depois se tornou coordenadora geral do plano de governo de Flávio, tem o nome ventilado para o Ministério da Economia desde a pré-campanha. Nas últimas semanas, porém, ela é citada para comandar um ministério responsável por políticas sociais e de cidadania. Flávio tem dito que ela será a principal responsável pelo “maior programa de mobilidade social” em seu governo.
O ex-ministro de Minas e Energia do governo Bolsonaro Adolfo Sachsida, que assumiu a coordenação do plano econômico quando Daniella Marques se tornou coordenadora-geral, é um dos nomes citados para uma pasta na área econômica. Seu nome também é citado por aliados de Flávio para alguma pasta ligada à Infraestrutura ou tecnologia.
Para a Fazenda, porém, fontes da campanha e aliados de Flávio evitam cravar apostas. O discurso público da campanha é que há vários quadros competentes, cujas funções serão definidas posteriormente, mas os movimentos de bastidor já revelam pretensões e disputas por postos em um eventual governo.
Para o Ministério da Agricultura, ficou definido que o nome será indicado pela Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) do Congresso Nacional. O modelo repete o ocorrido no governo de Jair Bolsonaro, quando a bancada ruralista indicou o nome de Tereza Cristina. Nesse cenário, o nome mais citado por parlamentares da frente é o de seu presidente, o deputado Pedro Lupion (Republicanos). Neste caso, o deputado Zé Vitor (PL-MG) assume a presidência da bancada.
Flávio Bolsonaro também já mencionou nomes como o de Guilherme Derrite (PP-SP), senador eleito por São Paulo, cotado para a Segurança Pública, e Simone Marquetto, que também havia sido cotada para a vice.
“Você prefere uma Dani Marques ou um Haddad na economia? Um Derrite ou um Lewandowski na Justiça? É fácil escolher qual lado, correto?”, declarou Flávio em transmissão nas redes sociais.
Segundo ele, Simone Marquetto terá “um papel importante no governo”. “A Simone também é uma pessoa que está do nosso lado e terá um papel importante. É alguém que já foi prefeita e sabe como funciona a máquina toda, que vai ajudar bastante também”, declarou.
Segundo Flávio, a escolha de ministros buscará não repetir erros do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. “Eu vou ter a liberdade de montar um time de ministros top. Até nisso, com o presidente Bolsonaro, eu vou fazer melhor do que ele. Eu conheço mais gente, tenho mais relacionamento, já sei quem são as pessoas em que eu posso confiar e quem já esteve lá e não pode voltar para o governo”, disse o senador.
As alianças partidárias e os movimentos de apoios dos últimos dias também implicam divisões de espaços, tanto na Esplanada, quanto na Mesa Diretora do Senador Federal e da Câmara dos Deputados. Além das Presidências das Casas, a cúpula do PL já contabiliza e calcula quantas comissões terão direito em cada Casa do Congresso e quais os espaços de interesse de cada partido aliado. Pelo cálculo de fontes da campanha, serão ao menos 5 ou 6 comissões que o PL terá “a primeira pedida”.
Por isso, as alianças partidárias construídas com a Federação União-PP, Republicanos, Novo e Podemos já incluem sinalizações e divisões de espaços. Caciques desses partidos, como Marcos Pereira (Republicanos) e Ciro Nogueira (PP), também poderão ter ministérios.
A leitura é de que em um eventual governo, Flávio chegará à Presidência “muito forte”, com muitos espaços a serem negociados. Além disso, a pré-campanha também já trabalha com portarias para revisão de cargos com influência de políticos em agências reguladoras que poderiam ser revistos já na transição de governo.
Apesar do clima de otimismo e entusiasmo na campanha, há ainda um sentimento de cautela, de que “é preciso primeiro vencer a eleição” e de que “não dá para subestimar o PT”. Nos bastidores, no entanto, já há cumprimentos de futuros “ministros”, que são chamados assim por aliados e requisitados como tais pelo setor empresarial e pelo mercado financeiro que já se adiantam para levar propostas.



COMENTÁRIOS