Preso hoje pela PF, Márcio Canella é o segundo deputado estadual mais votado no Rio

Preso pela Polícia Federal (PF) nesta manhã na oitava fase da Operação Unha e Carne, Márcio Canella (União) foi o segundo deputado estadual mais votado do Rio de Janeiro nestas eleições. Ele é ex-prefeito de Belford Roxo, sexta maior cidade do Estado, e um dos nomes mais fortes da política da Baixada Fluminense.
Canella foi preso sob suspeita de ser "patrono político" e "articulador" de uma organização criminosa armada que usaria postos de combustíveis na região metropolitana do Rio para lavar dinheiro. Ele concorreu nestas eleições com a candidatura ameaçada por acusações de integrar uma milícia na Baixada Fluminense.
Canella já havia sido preso em julho por posse ilegal de arma, durante outra operação da Unha e Carne. Ele foi solto dias depois por ausência provisória de indícios diretos sobre sua participação nos crimes, sem prejuízo da continuidade das apurações.
Antes da primeira prisão, o ex-prefeito era o nome escolhido por Flávio Bolsonaro (PL) para ser candidato ao Senado na chapa do PL no Rio. Sua suplente seria a mãe do candidato à presidência, Rogéria Bolsonaro (PL).
Em vídeo publicado nas redes sociais em abril, Flávio faz uma defesa do então aliado. “Estou aqui para reafirmar o meu apoio integral, 100%, ao meu amigo Márcio Canella como pré-candidato ao Senado pelo Rio de Janeiro”, diz o senador no vídeo.
Segundo a PF, a operação que resultou na nova prisão de Canella tem o objetivo de desarticular uma organização criminosa suspeita de utilizar uma rede de postos de combustíveis na Região Metropolitana do Rio como plataforma de lavagem de dinheiro. O esquema teria movimentado mais de R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos.
Ao Valor, a assessoria de Canella afirmou que ainda não teve acesso à decisão da prisão para se pronunciar.
Canella concorreu nestas eleições com a candidatura ameaçada. O Ministério Público Eleitoral chegou a defender que ele fosse barrado por suspeitas de ter sido beneficiado pela atuação de milícias com controle territorial na Baixada Fluminense.
Porém, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ) aprovou sua candidatura após concluir que ainda faltavam evidências sobre a prática dos supostos crimes.
Entre as suspeitas analisadas estavam a atuação de seus ex-secretários na prefeitura Belford Roxo Eduardo Araújo e Fabinho "Varandão". Ambos foram condenados por integrarem milícias e barrados de disputar o pleito de 2024. Eles mantiveram forte atuação política na campanha de Canella.
Canella fez campanha em dobradinha com o presidente do União Brasil, Antônio Rueda, que foi eleito deputado federal. Ele também teve a candidatura ameaçada por ter supostamente se beneficiado da estrutura miliciana vinculada a Canella.
Rueda também teve o registro aprovado pelo TRE-RJ por falta de provas dos supostos crimes. Ele afirmou na ocasião que "não existe inquérito, ação penal, condenação ou qualquer procedimento que me vincule a milícia ou a organização criminosa armada”.
A trajetória política de Márcio Canella teve início em 2012, quando ele foi eleito vereador de Belford Roxo. Em 2014, foi eleito pela primeira vez para a Alerj, sendo reeleito em 2018 e 2022.
Mais recentemente, em 2024, Canella venceu a disputa para a prefeitura de Belford Roxo. Porém, deixou o cargo ao renunciar no início deste ano.



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