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Campo Grande,23/10/2026

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Famílias relatam dificuldades nas investigações sobre crianças desaparecidas

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Famílias relatam dificuldades nas investigações sobre crianças desaparecidas


Bruno Spada / Câmara dos Deputados

Audiência Pública – Prevenção e enfrentamento da violência sexual infantojuvenil.

Mães de crianças desaparecidas foram ouvidas na Câmara dos Deputados


A Comissão Externa da Câmara dos Deputados de Prevenção e Enfrentamento da Violência Sexual Infantojuvenil ouviu, na quarta-feira (21),  mães de quatro crianças desaparecidas em três estados: Maranhão, Rio de Janeiro e Pará.


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As participantes e seus advogados relataram dificuldades para acompanhar as investigações, falta de informações sobre o paradeiro dos filhos e consequências para suas famílias.


Clarice Cardoso, mãe dos irmãos Ágatha Isabelly, de seis anos, e Allan Michael, de quatro, desaparecidos em janeiro deste ano em uma área de quilombo na zona rural de Bacabal (MA), contou que, nove meses após o sumiço das crianças, o inquérito ainda não foi concluído.


A advogada da família, Nathaly Moraes, acredita que as crianças podem ter sido vítimas de uma quadrilha de tráfico humano. Ela explicou que, no primeiro momento, a polícia indicou que eram duas linhas de investigação: ou as crianças se perderam na mata ou foram vendidas.


"Se eles [policiais civis] estão entendendo que a mãe vendeu as crianças, estamos falando de tráfico de pessoas. E, se estamos falando de tráfico de pessoas, por que não houve naquele momento um pedido de cooperação com a Polícia Federal? Se tinha uma linha de investigação, os procedimentos básicos deveriam ser seguidos”, afirmou.


Segundo a advogada, é comum haver a culpabilização das mães em casos similares, o que, às vezes, atrasa o andamento das investigações. Ela pediu a federalização nos casos de desaparecimento de crianças.


Edson Davi

A mãe de Edson Davi, de seis anos, Marize Araújo, desaparecido desde janeiro de 2024, na Praia da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, não concorda com a possibilidade de seu filho ter se afogado, como alegado pela investigação oficial.


Segundo Marize, a polícia descartou suspeitos sem investigar, e as câmeras da praia estavam desligadas. Ela acusa uma quadrilha de ter sequestrado o seu filho.


“Há quase três anos, eu venho lutando por uma investigação digna, justa, com compaixão, por uma vida de uma criança que tinha apenas seis anos. É tudo o que eu preciso. É uma investigação com dignidade.”


José Arthur

Geycyara Souza Gonçalves, mãe de José Arthur Souza Barros, desaparecido em Eldorado do Carajás (PA) em março de 2026, afirmou que não recebe respostas satisfatórias sobre as investigações.


O advogado da família, Elisson Araújo, acredita que o problema é estrutural, e que sequestradores se aproveitam da situação de vulnerabilidade das famílias. Ele sugeriu que seja coletada a biometria facial das crianças no nascimento, como forma de impedir a falsificação de documentos.


Também destacou a necessidade de se integrar as forças de segurança, para haver troca de informações rápidas, que podem ajudar na solução dos desaparecimentos.


O coordenador da comissão externa, deputado Fernando Rodolfo (PRD-PE), reafirmou o compromisso dos parlamentares em continuar acompanhando os casos e disse que pretende apresentar uma proposta legislativa para permitir que a Polícia Federal atue em casos dessa natureza, sem burocracia.




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